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Itaú fecha maior locação de escritórios da história do Brasil

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A maior locação de escritórios da história do Brasil

O Itaú Unibanco fechou contrato para ocupar as duas torres do complexo Esther Towers, na Avenida Chucri Zaidan, em São Paulo — e o negócio, revelado de forma independente por Seu Dinheiro e Money Times na sexta-feira (27/09), é a maior locação corporativa já registrada no mercado imobiliário brasileiro.

São 91,4 mil m² de área bruta locável — o equivalente a 12 campos de futebol — que vão gerar R$ 1,17 bilhão em receita de aluguel para a Eztec, dona do empreendimento, ao longo dos primeiros dez anos de contrato, com opção de renovação por mais cinco. A intermediação ficou com a CBRE, representando a Eztec, e a Binswanger Brasil, do lado do Itaú.

O recorde anterior era do Banco do Brasil, que em 2013 havia alugado as três torres do Green Towers, em Brasília, com 86 mil m². O contrato do Itaú supera esse número em quase 6 mil m² — e, olhando pela receita, não fica nem perto em escala.

Por que o banco quer tanto espaço

A locação acompanha uma mudança recente na política de trabalho híbrido do Itaú. Em junho, o banco definiu presença mínima de três dias por semana no escritório para funcionários administrativos a partir do primeiro trimestre de 2028, e de quatro dias por semana para superintendentes já a partir de janeiro de 2027. Ou seja: o banco está comprando — alugando — espaço para um volume de gente maior circulando presencialmente nos próximos anos, não para o cenário de hoje.

O que isso sinaliza para o mercado de escritórios em SP

O ponto mais relevante da operação não é só o tamanho — é o momento. A vacância média de escritórios em São Paulo caiu de 22%, no auge da pandemia, para 15% hoje. Em edifícios Triplo A, a vacância já está em 9,8%; em regiões prime como Paulista, Faria Lima e o eixo JK, entre 5% e 9%. Na própria região do Esther Towers, na Chucri Zaidan, a vacância caiu de 13,5% para uma projeção de 12% só com essa locação.

Consultores do setor ouvidos pela imprensa especializada descrevem a operação como um ponto de virada: com poucos projetos de grande porte previstos para além de 2027, o mercado paulistano caminha para uma escassez real de lajes corporativas grandes o suficiente para acomodar operações do tamanho de um banco como o Itaú.

O que isso significa para quem investe ou empreende

Para quem acompanha renda variável e fundos imobiliários, o recado é direto: cenário de vacância em queda e oferta cada vez mais escassa tende a sustentar reajuste de aluguéis e, por consequência, o valor das cotas de fundos imobiliários com exposição a edifícios corporativos bem localizados em São Paulo — sem que isso seja recomendação de compra de fundo específico, já que cada FII tem portfólio e risco próprios. O IFIX, índice que reúne os fundos imobiliários listados na B3, fechou a sexta-feira em alta de 0,48%.

Para empresas de médio e grande porte que ainda não resolveram sua necessidade de espaço em São Paulo, o recado é o oposto de conforto: negociar uma laje grande no eixo Faria Lima–JK–Chucri Zaidan tende a ficar mais caro e mais disputado nos próximos anos. Quem espera para negociar espaço corporativo pode entrar num mercado com bem menos opção de escolha do que há um ano.

O que acompanhar

Na semana que antecede o primeiro turno das eleições, a bolsa brasileira segue de olho no humor político mais do que em qualquer indicador isolado — mas, no radar do mercado imobiliário corporativo especificamente, vale acompanhar se outras grandes empresas seguem o movimento do Itaú nos próximos meses, e como os fundos imobiliários de lajes corporativas reagem, nos pregões seguintes, a esse sinal de escassez de oferta. Vale também observar, na próxima divulgação de indicadores de vacância do setor, se a queda registrada na região da Chucri Zaidan se confirma.

Este texto tem caráter informativo e não constitui recomendação de compra ou venda de qualquer ativo.

Fontes: Seu Dinheiro, Money Times.

Interior de escritório corporativo contemporâneo com andar corrido, divisórias de vidro fosco, plantas e estações de trabalho

Maria Gabriela
Maria Gabrielahttp://allfin.com.br
Maria Gabriela é jornalista dedicada à cobertura de economia, negócios e mercado financeiro.
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