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Encontrar meu domínio →Foto: Ricardo Stuckert (CC BY-SA 4.0), via Wikimedia Commons
Os números de sexta-feira (25/09)
Hoje é domingo, sem pregão — os dados abaixo são do último fechamento, na sexta-feira (25/09):
- Selic (meta): 13,75% ao ano — quinto corte consecutivo do Copom, decidido em 16/09.
- Câmbio: dólar a R$ 5,1991 na PTAX de sexta.
- Ibovespa: 183.477 pontos, queda de 0,27% na sexta — segunda semana consecutiva no negativo, com o mercado repercutindo o IPCA-15 e o cenário eleitoral.
O fiscal virou o assunto da manhã de domingo
A oito dias do primeiro turno, o tema que domina os editoriais de mercado não é um número isolado — é a combinação de três frentes que, juntas, resumem a semana: quanto custa manter a Selic em 13,75%, quem vai pagar a conta dos programas que o governo anunciou nas últimas semanas, e o que o Ibovespa já está embutindo no preço sobre o resultado das urnas.
Selic a 13,75%: até quando cabe no orçamento?
O Copom cortou a Selic para 13,75% em 16/09, por unanimidade, mas isso não tirou o tema “custo da dívida” de cena. Especialistas ouvidos pelo Seu Dinheiro chamaram os juros atuais de “insustentáveis” para as contas públicas — o argumento é simples: quanto mais alta a Selic, mais caro fica rolar a dívida federal, que é majoritariamente indexada a ela. Para quem investe em renda fixa, o efeito é o oposto: títulos como CDB, LCA e LCI seguem pagando bem enquanto a taxa não cede — e é justamente esse contraste (bom para quem tem reserva, ruim para quem paga a conta pública) que alimenta o debate.
Desenrola 3.0 e subsídio ao diesel: quem paga a conta
Do lado do gasto, dois anúncios recentes tensionam ainda mais essa equação. O governo quer renegociar até R$ 150 bilhões em dívidas de pessoas físicas e pequenas empresas no Desenrola 3.0 — um programa que, por definição, tem custo fiscal (seja via renúncia de receita, seja via garantia pública). E a Fazenda prorrogou por mais 30 dias o subsídio de R$ 2,12 por litro do diesel, para conter a alta dos combustíveis puxada pelo petróleo internacional. Em evento com empresários em São Paulo, o presidente Lula chamou a estabilidade fiscal de “coisa obrigatória” — mas o ministro da Fazenda, Dario Durigan, foi direto ao afirmar que a redução de juros no Brasil depende do fiscal e também de fatores estruturais, não é automática.
O que o Ibovespa já está precificando
É aqui que a eleição entra na conta do investidor. Um relatório do BofA, citado pelo Money Times, estima que o mercado atribui hoje cerca de 40% de probabilidade a um cenário otimista para o Ibovespa — contra 27% um mês atrás. Só que o próprio banco alerta: a questão fiscal é “o verdadeiro tema da eleição”, com a dívida bruta projetada em 83,1% do PIB em 2026 e mais de 90% do gasto federal já comprometido por obrigações. Ou seja, o índice sobe na expectativa de um ajuste fiscal que ainda não aconteceu. É um risco real para quem só olha o preço da ação e ignora o pano de fundo — por isso vale reforçar o básico antes de qualquer decisão de portfólio, como descrito em nosso guia de primeiros passos para investir com segurança.
O que acompanhar na segunda-feira (28/09)
Os mercados reabrem depois do fim de semana com a mesma pauta: juros, fiscal e eleição entrelaçados. Vale ficar de olho no Boletim Focus do Banco Central, publicado semanalmente às segundas-feiras, que deve trazer a atualização das expectativas do mercado para Selic, câmbio e inflação — termômetro direto de como os economistas estão lendo essa mesma equação fiscal a poucos dias das urnas.



