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Correção no Ibovespa e dólar abaixo de R$5: até onde vai o rali?

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A bolsa fez uma pausa, o dólar não

Na terça-feira (06/10), o Ibovespa fechou em 205.835,29 pontos, queda de 0,52%, segundo a Agência Brasil. Foi a primeira queda depois da disparada de 7,70% da véspera, impulsionada pelo resultado do 1º turno das eleições. O dólar, no entanto, não parou de cair: a cotação comercial fechou em R$ 4,975, baixa de 0,55% — a menor cotação de fechamento desde 12 de maio, segundo a mesma reportagem da Agência Brasil. Já pela PTAX do Banco Central, usada para liquidar contratos, a cotação da terça ficou em R$ 4,9698: a primeira vez abaixo da linha de R$ 5 desde maio.

A Agência Brasil descreveu a terça como “um dia de ajuste”, com a queda do Ibovespa “interpretada como um movimento de realização de lucros” depois da euforia de segunda-feira. A lógica por trás da queda do dólar segue o mesmo raciocínio da alta da bolsa: segundo a reportagem, investidores avaliam que uma eventual mudança de governo pode reduzir o prêmio de risco dos ativos brasileiros e abrir espaço para uma agenda de ajuste fiscal.

Quem devolveu ganhos — e quem ainda subiu

Apesar da queda do índice, cinco papéis fecharam a terça em alta acima de 4%: Minerva (BEEF3), com 7,40%; Cogna (COGN3), com 4,83%; Vamos (VAMO3), com 4,52%; Totvs (TOTS3), com 4,45%; e Yduqs (YDUQ3), com 4,41%. São nomes ligados ao consumo doméstico e a setores sensíveis a juros — o tipo de ação que mais ganha se a Selic, hoje em 13,75% ao ano, começar a cair.

Do outro lado, Banco do Brasil (BBAS3) liderou as perdas, com baixa de 6,42%. Rumo (RAIL3) caiu 3,49%, PRIO (PRIO3) recuou 3,27%, Azul (AXIA3) perdeu 3,10% e BTG Pactual (BPAC11) cedeu 2,81% — este último, parte do ajuste depois de ter subido 22,52% na própria segunda-feira, como o ALLFIN mostrou no fechamento do pregão anterior. Já a maior queda percentual do dia, a de BBAS3, não tem relação direta com a eleição: o banco vem pressionado neste ano por resultados mais fracos, e o tombo da terça reflete mais esse quadro específico do que o clima eleitoral.

Enquanto a bolsa de ações corrigia, o IFIX — índice dos fundos imobiliários — subiu 2,26%. É outro sinal de que o mercado já embute queda de juros no horizonte: FIIs ganham atratividade quando a renda fixa perde força relativa.

Até onde vai o rali, segundo os grandes bancos

A pergunta que domina as mesas de operação agora é se a alta de segunda-feira tem fôlego ou já ficou cara demais. Para o Morgan Stanley, a resposta passa por capital doméstico ainda fora da bolsa: o banco estima que uma simples normalização da alocação dos fundos locais em ações poderia levar R$ 176 bilhões, R$ 615 bilhões ou até R$ 945 bilhões à renda variável brasileira, dependendo de a participação de ações nos fundos locais voltar a 8%, 12% ou ao patamar histórico de 15%, segundo o InfoMoney. O banco também vê espaço para US$ 10 bilhões a US$ 40 bilhões adicionais de investidores estrangeiros — mas faz uma ressalva direta: “o elemento essencial continua sendo a consolidação fiscal”, necessária para sustentar um custo de capital menor.

Gestores ouvidos pelo InfoMoney reforçam esse diagnóstico pelo lado do valuation: João Luiz Braga, da Encore Asset Management, diz que “o ciclo de alta nem começou” e que empresas domésticas negociadas a 4-5 vezes o lucro poderiam ir a 8-10 vezes; já Frederico Sampaio, da Franklin Templeton Brasil, lembra que o P/L do Ibovespa está em 9,5 vezes, abaixo da média de cinco anos (11,5 vezes) — o que, numa eventual normalização, levaria o índice à casa dos 250 mil pontos. São projeções, não garantias.

O UBS BB foca em quem lucra primeiro com a queda de juros embutida nesses cenários: PagSeguro (PAGS) e Stone (STNE) são as mais sensíveis, com cada corte de 1 ponto percentual na Selic somando cerca de R$ 350 milhões ao lucro antes de impostos da PagSeguro e R$ 200 milhões a R$ 250 milhões ao da Stone, segundo o Seu Dinheiro; o banco também cita a própria B3 (B3SA3), seguradoras como BB Seguridade (BBSE3) e IRB (IRBR3) entre as beneficiadas.

Já a TAG Investimentos, multi family office com R$ 18 bilhões sob gestão, descreve a mudança de forma mais direta: segundo sua carta mensal de outubro, citada pelo Seu Dinheiro, “com Lula, a probabilidade de o país entrar nos trilhos de uma política econômica funcional era bem baixa, algo perto de zero. Com o resultado das urnas, e com a confirmação de Flávio, a probabilidade de o Brasil adotar um caminho econômico saudável aumenta bem, digamos que perto dos 60%”. A gestora aumentou posição em Tesouro IPCA+ longo, papéis prefixados e ações — aposta que, no exterior, teve eco na alta de mais de meio ponto do S&P 500 (+0,58%) e do Dow Jones (+0,49%) na mesma terça-feira.

O que o 2º turno de 25 de outubro decide

Toda essa conta — os R$ 945 bilhões do Morgan Stanley, os 250 mil pontos de Franklin Templeton e Paramis Avantgarde, os múltiplos defendidos pela Encore e pela Reach Capital — está apoiada em expectativa, não em resultado fechado. Falta o 2º turno, em 25 de outubro, e o próprio Morgan Stanley condiciona seus cenários mais otimistas a um plano fiscal “crível” do próximo governo. Até lá, o termômetro mais simples para quem acompanha o mercado de fora das mesas de operação são os dois números que já mudaram de patamar nesta semana: o dólar abaixo de R$ 5 e o Ibovespa testando novas máximas depois de qualquer dia de ajuste como o de terça-feira.

Este texto tem caráter informativo e reporta projeções de bancos e gestoras sobre o cenário eleitoral e de juros; não constitui recomendação de compra ou venda de qualquer ativo.

Fontes: Agência Brasil — “Dólar fecha abaixo de R$ 5 pela primeira vez desde maio”; InfoMoney — “Quanto dinheiro pode entrar na bolsa se o rali continuar? Morgan vê até R$ 945 bi” e “Bolsa disparou, mas ficou mais barata: por que gestores ainda veem fôlego para a euforia”; Seu Dinheiro — “Bolsa brasileira disparou após o 1º turno: agora, UBS BB revela onde ainda pode haver espaço para ganhar” e “A eleição já mudou a forma de investir: gestora de fortunas aumenta aposta em Tesouro IPCA+, prefixados e ações”.

Painel digital de cotações exibindo símbolos de moedas (USD, EUR, GBP) com dados de mercado ao fundo

Maria Gabriela
Maria Gabrielahttp://allfin.com.br
Maria Gabriela é jornalista dedicada à cobertura de economia, negócios e mercado financeiro.
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