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O que fazer com o 13º salário em 5 passos, na ordem certa

— O que fazer com o 13º salário? A resposta curta: pague primeiro as dívidas caras, reforce a reserva de emergência, separe as contas de início de ano, invista o que sobrar e só então defina o orçamento de gastos e presentes. Abaixo, cada passo com exemplo prático.

Todo ano a cena se repete. O dinheiro extra chega, a lista de desejos aparece junto e, em poucas semanas, não sobra quase nada. O problema raramente é falta de vontade. Na maioria das vezes, é falta de um destino definido antes de o dinheiro cair na conta.

Aqui vai uma ordem de prioridade, do que mais protege o seu bolso ao que mais agrada. Vamos por partes.

Como o 13º salário é pago

Antes de planejar, vale entender o que você vai receber e quando. O 13º salário, também chamado de décimo terceiro, é um direito do trabalhador com carteira assinada, previsto na Lei nº 4.090, de 1962. O Ministério do Trabalho e Emprego explica que o direito vale para os empregados formais e que o pagamento é feito em duas parcelas.

  • Primeira parcela: paga entre fevereiro e 30 de novembro, correspondendo a metade da remuneração do mês anterior.
  • Segunda parcela: paga até 20 de dezembro, como complemento do valor total devido.
  • Proporcionalidade: quem trabalhou só parte do ano recebe proporcional aos meses trabalhados. Fração de 15 dias ou mais conta como mês completo.

Na prática, os descontos de INSS e de Imposto de Renda costumam ser feitos na segunda parcela. Por isso, ela tende a vir menor que a primeira. Para saber o valor líquido exato, confira o holerite e as regras atuais de desconto nas fontes oficiais, porque tabelas e alíquotas mudam.

Se o seu 13º vai chegar em breve, o mais importante é não tratar o valor da primeira parcela como o total. Planeje com a expectativa da segunda, já com descontos.

Passo 1: quite as dívidas caras

Esse é o primeiro destino, e não é por acaso. Dívida cara cresce mais rápido do que qualquer investimento comum rende. Pagar a dívida equivale a um “rendimento” garantido, igual à taxa de juros que você deixa de pagar.

As mais perigosas costumam ser o cheque especial e o rotativo do cartão. O Banco Central define o rotativo como o saldo que sobra após o vencimento da fatura e o cheque especial como um limite de crédito vinculado à conta-corrente. Ambos aparecem entre as modalidades de juros mais altos. Se quiser entender o mecanismo, veja nosso texto sobre o crédito rotativo do cartão.

Um exemplo hipotético: você tem R$ 1.000 no rotativo e outra dívida menor, de R$ 400, com juros mais baixos. Com um 13º hipotético de R$ 3.000, quitar o rotativo inteiro vem antes, mesmo que a segunda dívida pareça “mais fácil” de zerar.

Se houver várias dívidas, a ordem de ataque importa. Nosso guia de estratégias para quitar dívidas compara a bola de neve e a avalanche. Se estiver em dúvida entre pagar ou investir, leia também dívida vs investimento.

Um cuidado: ao renegociar, compare o custo efetivo total (CET), que reúne juros, tarifas e encargos. O texto sobre custo efetivo total para comparar empréstimos mostra como fazer.

Passo 2: monte ou reforce a reserva de emergência

Sem dívidas caras, o próximo destino é a reserva de emergência: dinheiro separado para imprevistos, como uma despesa médica ou um período sem renda. Sem ela, qualquer susto vira dívida nova.

Muita gente ainda confunde reserva com investimento. A reserva existe para dar segurança, não para render o máximo. Por isso, o principal critério é a liquidez, ou seja, poder sacar rápido e sem perda.

Se você ainda não tem reserva, comece pequeno, mas comece. O 13º pode ser um bom empurrão. Para calcular a meta, leia quanto guardar na reserva de emergência.

Passo 3: separe as contas de início de ano

Janeiro costuma pesar. O IPVA, o IPTU, o material escolar, a matrícula e eventuais reajustes chegam quase juntos. Quem não se prepara costuma recorrer ao cartão ou ao cheque especial, justamente o que você acabou de evitar.

Faça uma lista simples:

  1. Liste as despesas anuais que você já conhece.
  2. Estime um valor para cada uma, com pequena folga.
  3. Separe o total em uma conta ou aplicação própria, com identificação clara.

Para ter o valor exato de cada imposto, consulte o órgão responsável pelo seu veículo ou imóvel. Os valores variam conforme a cidade e o estado.

Passo 4: invista o que sobrar

Só agora entra o investimento, com o que restou dos passos anteriores. Isso não é menos importante: é a etapa que constrói patrimônio com o tempo.

Para objetivos de médio prazo, muita gente avalia renda fixa. Como exemplos ilustrativos, não indicação, há o Tesouro Direto e os títulos bancários, como CDB, LCI e LCA. No site oficial do Tesouro Direto você encontra os títulos, as taxas atuais e simuladores. Para começar, veja o guia do Tesouro Direto e a diferença entre CDB, LCI, LCA e LCD.

Antes de escolher, observe três pontos: prazo, liquidez e garantias. A escolha depende do seu objetivo e do seu perfil, e este texto é educativo, não uma recomendação personalizada.

Passo 5: gastos e presentes com orçamento definido

Sim, o 13º também serve para aproveitar. O ponto é decidir o valor antes de comprar, não depois de ver a fatura.

Defina um teto para presentes, viagens e ceia, e escreva o número. Uma lista de nomes com valor ao lado ajuda a evitar o gasto por impulso. Se quiser uma referência de divisão, a regra 50-30-20 separa necessidades, desejos e objetivos financeiros.

Exemplo hipotético: de um 13º de R$ 3.000, você destina R$ 1.000 às dívidas, R$ 800 à reserva, R$ 500 às contas de janeiro, R$ 400 ao investimento e R$ 300 aos presentes. Os números são só ilustração: ajuste às suas prioridades.

Perguntas frequentes sobre o 13º salário

Vale a pena antecipar o 13º?

Depende. Em alguns casos, o trabalhador pode receber a primeira parcela antes, como nas férias, se pedir no prazo previsto em lei. Se a antecipação serve para quitar uma dívida cara, pode compensar. Se for para consumo, tende a esvaziar o dinheiro de dezembro.

Aposentado do INSS recebe 13º?

Sim, aposentados e pensionistas do INSS recebem um abono anual equivalente ao 13º. As datas de pagamento são definidas pelo governo e podem mudar de um ano para o outro. Consulte o Meu INSS ou o gov.br para o calendário vigente.

O 13º pode ser usado para quitar dívida?

Pode, e muitas vezes é a melhor opção quando a dívida tem juros altos. Compare o custo efetivo total e, se possível, negocie desconto para pagamento à vista.

Quem tem direito ao 13º salário?

Empregados com carteira assinada têm direito, incluindo, conforme a legislação, trabalhadores domésticos. Autônomos e MEI não recebem 13º, por isso precisam criar a própria “reserva de fim de ano”.

O que fazer se o 13º for pouco?

Mantenha a ordem de prioridade e reduza a ambição de cada etapa. Quitar parte da dívida cara ou colocar uma quantia pequena na reserva já muda sua situação.

Dinheiro com destino antes de chegar

O 13º não resolve a vida financeira sozinho, mas organiza muita coisa quando recebe um plano. Quem decide a divisão antes de o dinheiro cair costuma gastar com menos culpa e ver sobrar mais vezes.

Comece pela dívida cara, proteja-se com a reserva, antecipe janeiro, invista o que restar e reserve um valor para aproveitar. Nenhuma das etapas exige muito dinheiro. Exige ordem. —

Cofrinho de cerâmica cor terracota sobre uma superfície de madeira

Aviso: este conteúdo tem caráter informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento, nem oferta de compra ou venda de qualquer ativo. Avalie seu perfil e, se necessário, procure um profissional certificado. Rentabilidade passada não garante rentabilidade futura. Política editorial.

Laura Lemos
Laura Lemoshttps://allfin.com.br/sobre/
Laura Lemos é a persona editorial do ALLFIN para educação financeira: guias práticos sobre dinheiro, crédito e investimentos.
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