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Como escolher um ETF sem se perder entre índice, taxa e liquidez

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Você já decidiu que quer investir em um ETF (Exchange Traded Fund, ou fundo de índice negociado em bolsa). Aí abre a lista na corretora e encontra dezenas de siglas parecidas. Como escolher um ETF sem comprar o primeiro que aparece? Este texto mostra quatro critérios práticos para comparar as opções com calma.

Se você ainda está na base e quer entender o que é um ETF, comece pelo guia completo de ETFs do ALLFIN. Aqui, o foco é outro: a hora de decidir.

Por que a escolha importa tanto

Um ETF é uma cota que você compra na bolsa, como uma ação. Só que, por trás dela, existe uma carteira inteira que tenta copiar um índice. A B3, a bolsa brasileira, explica em seu portal educativo que o ETF segue uma estratégia passiva: o gestor não tenta vencer o mercado, apenas reproduzir o índice (B3, Bora Investir).

Isso poderia sugerir que todos os ETFs são parecidos. Não são. Dois fundos que copiam índices diferentes podem ter riscos totalmente distintos. E dois que copiam o mesmo índice podem custar valores bem diferentes.

O ponto é este: no ETF, você não escolhe empresas. Você escolhe uma regra, um custo e uma facilidade de compra e venda.

Critério 1: o índice que o fundo copia

Comece pelo índice, não pelo nome do fundo. O índice define o que existe dentro da carteira.

Pergunte a si mesmo:

  • É um índice de ações, de renda fixa, de fundos imobiliários ou internacional?
  • A carteira é muito concentrada em poucos setores ou empresas?
  • Faz sentido para o meu objetivo e para o prazo que tenho?

Um índice amplo tende a espalhar mais o risco. Um índice setorial ou temático concentra apostas, e isso muda o comportamento da cota. Se o ETF acompanha ativos de fora, o câmbio também mexe no preço em reais.

Muita gente confunde “diversificado” com “sem risco”. Mesmo um ETF amplo cai quando o mercado cai. Para entender melhor essa ideia, vale ler sobre diversificação como proteção do patrimônio.

Critério 2: taxa de administração e outros custos

A taxa de administração é o custo anual cobrado pelo fundo. Ela não vem em boleto: é descontada do valor da cota e aparece na rentabilidade. Como a gestão é passiva, ela costuma ser menor que a de fundos que tentam vencer o mercado, segundo a própria B3.

Veja por que um pequeno ponto percentual faz diferença. Imagine, apenas como exemplo, dois ETFs que copiam o mesmo índice, e você investe R$ 10.000 em cada um. Se um cobra 0,5 ponto percentual a mais por ano, a diferença é de cerca de R$ 50 no primeiro ano. Parece pouco. Mas o custo age todo ano, sobre um patrimônio que cresce, e vai se acumulando.

Além da taxa, existem custos de quem compra:

  • Corretagem: algumas corretoras cobram, outras não. Confira a tabela da sua.
  • Emolumentos: taxas da bolsa, as mesmas de quem compra ações.
  • Spread: a diferença entre o preço de compra e o de venda (veja abaixo).

Os valores mudam com o tempo. Consulte sempre o regulamento do fundo e a tabela da corretora.

Critério 3: liquidez e spread

Liquidez é a facilidade de comprar e vender sem esperar muito nem aceitar um preço ruim. Em ETFs, ela depende de quantas pessoas negociam aquela cota no dia.

O spread é o termo técnico para a distância entre o que os compradores oferecem e o que os vendedores pedem. Em um ETF muito negociado, essa distância costuma ser pequena. Em um pouco negociado, pode ser grande.

Um exemplo simples, com números inventados: você compra uma cota a R$ 100,00, mas, se fosse vender naquele instante, receberia R$ 99,80. Você já “perdeu” 0,2% só pelo spread, antes de qualquer variação do mercado. Em ETFs de pouca negociação, essa perda pode ser maior.

A B3 informa que os formadores de mercado, instituições que mantêm ofertas de compra e venda abertas durante o pregão, ajudam a sustentar a liquidez. Mesmo assim, ela varia de um ETF para outro, principalmente nos setoriais. Antes de comprar, olhe o volume negociado nos últimos dias e a diferença entre as ofertas na tela da corretora.

Critério 4: tracking error e transparência

Tracking error é o quanto o desempenho do ETF se afasta do desempenho do índice que ele copia. O ideal é que seja pequeno. Parte da diferença vem da própria taxa; outra parte, dos custos de ajustar a carteira.

A regra da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) exige que o fundo mantenha ao menos 95% do patrimônio em ativos ligados ao índice, entre outras condições. O texto está no Anexo Normativo V, “Fundos de Índice”, da Resolução CVM 175. Na prática, a composição da carteira é pública. Você pode, e deve, conferir o que há lá dentro.

Compare o retorno do ETF com o do índice no mesmo período. Se a diferença for muito maior que a taxa cobrada, vale investigar o motivo.

Como comprar pela corretora, passo a passo

O processo é parecido com o de comprar uma ação:

  1. Tenha conta em uma corretora. Se ainda não escolheu, veja como escolher a corretora de investimentos.
  2. Busque o ETF pelo código de negociação (ticker) e abra a ficha com índice, taxa e regulamento.
  3. Confira a liquidez e o spread na tela de ofertas.
  4. Defina quantas cotas quer. A B3 informa que não há mínimo além de uma cota.
  5. Prefira ordem a preço limite, em que você fixa o valor máximo que aceita pagar, para evitar surpresas.

Qualquer ETF citado em material educativo é só exemplo, nunca indicação. A escolha depende do seu objetivo, do prazo e do quanto de oscilação você aguenta.

E o imposto?

A tributação do ETF depende do tipo de fundo: de ações, de renda fixa, imobiliário ou internacional. Em geral, o imposto incide sobre o lucro na venda, e a apuração é feita por você, não pela corretora. Alíquotas, prazos e isenções mudam por lei.

Por isso, não decore percentuais. Entenda o mecanismo no texto sobre imposto de renda em investimentos e confira a regra em vigor para o seu tipo de ETF na Receita Federal ou na B3, ou com um contador.

Para quem faz sentido, e para quem nem tanto

Em geral, o ETF costuma fazer sentido para quem quer exposição a um mercado inteiro sem escolher empresa por empresa, aceita seguir o índice (inclusive nas quedas) e investe com prazo longo.

Faz menos sentido para quem espera ganho garantido, precisa do dinheiro em curto prazo ou quer vender e comprar toda hora. ETF de ações oscila e pode dar prejuízo. Rentabilidade passada não garante a futura.

A melhor escolha costuma ser a mais simples de explicar

Um teste que uso: se você não consegue explicar em duas frases o que o ETF copia e quanto ele custa, ainda não está pronto para comprar. Na minha experiência, quem entende o índice, a taxa e a liquidez erra bem menos do que quem escolhe pela rentabilidade do último ano.

Comparar três ou quatro ETFs com esses critérios leva meia hora. Esse tempo evita anos de custo desnecessário. E, como o conteúdo é educativo, a decisão final é sua, ou de um profissional habilitado que conheça a sua situação.

Mesa de trabalho vista de cima com notebook, folha impressa com gráficos de linhas, barras e pizza, caderno espiral e caneta

Laura Lemos
Laura Lemoshttp://www.allfin.com.br
Laura Lemos é especialista em finanças, comunicadora e educadora financeira.
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