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Mercado já aposta em corte da Selic: o que muda no Tesouro, CDB e na XP

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O Ibovespa fechou a quinta-feira (08/10) em alta de 0,94%, a 206.220 pontos, e o dólar PTAX terminou o dia em R$ 5,0119. Mas o que já está mudando o comportamento de quem investe não é o pregão de ontem — é a aposta crescente de que o Copom vai cortar a Selic, hoje em 13,75% ao ano, nas próximas reuniões, hipótese que ganha força com o IPCA que o mercado acompanha nesta semana, como mostra a Money Times.

Por que o mercado já aposta no corte — mas o Copom não decidiu nada ainda

Importante separar as duas coisas: a Selic meta segue em 13,75% ao ano, fixada pelo Copom. O que mudou é a expectativa — a projeção que investidores fazem para os próximos meses, com base no ritmo de desaceleração da inflação e no IPCA desta semana. É essa expectativa, não um corte já confirmado, que está reprecificando ativos sensíveis a juro, da renda fixa à bolsa.

Tesouro Direto: por que o prefixado pode compensar mais que o pós-fixado

No Tesouro Direto, a diferença entre os títulos está em como cada um reage a uma mudança de juros. O Tesouro Selic (pós-fixado) paga o que a Selic valer dia a dia — se a taxa cair, o rendimento futuro desse título cai junto, mês a mês. Já o Tesouro Prefixado trava, hoje, uma taxa fixa até o vencimento: quem compra agora, com a Selic ainda em 13,75%, garante esse retorno independentemente do que o Copom decidir depois.

Se a expectativa de corte se confirmar, o prefixado comprado hoje tende a valer mais do que um Tesouro Selic comprado na mesma data, porque o pós-fixado “acompanha” a queda enquanto o prefixado já ficou travado no nível mais alto. É essa lógica que sustenta a tese defensiva do Safra para títulos públicos, destacada pelo Seu Dinheiro — que também traz um alerta: o mercado pode ter “queimado a largada”, isto é, precificado um corte mais rápido do que o Copom de fato vai entregar. Se a Selic cair mais lentamente do que o mercado espera, o pós-fixado perde menos do que parece hoje.

CDB x Tesouro Selic: como comparar no cenário de corte esperado

A mesma lógica vale para o CDB. Bancos oferecem CDB prefixado (taxa fixa) e CDB pós-fixado, geralmente indexado a um percentual do CDI, que acompanha a Selic de perto. Segundo o InfoMoney, as taxas atuais de CDB ainda permitem ganho de até 40% em três anos — mas esse retorno depende de travar a taxa agora, num prefixado, ou de escolher um pós-fixado de prazo mais longo só se o percentual do CDI oferecido for alto o suficiente para compensar uma Selic menor nos próximos anos.

Diferença central em relação ao Tesouro Selic: o CDB é crédito privado, com risco do banco emissor (ainda que coberto pelo FGC até R$ 250 mil por CPF e instituição), enquanto o Tesouro Selic é risco soberano. Comparar as duas opções só pelo percentual do CDI oferecido, sem considerar prazo e risco, pode subestimar o efeito de um eventual corte.

Por que ações como a XP e os fundos imobiliários reagem à expectativa de juro menor

Juros mais baixos tendem a favorecer dois tipos de ativo na bolsa: empresas ligadas a crédito e investimentos, e fundos imobiliários. A XP (XPBR31) está nesse grupo — o UBS BB elevou o preço-alvo da ação e projeta até 25% de alta, segundo o Seu Dinheiro, que associa o potencial de alta a uma Selic menor, capaz de aquecer a captação de crédito e investimentos geridos pela corretora.

Já os fundos imobiliários (FIIs), medidos pelo IFIX, reagem por outro canal: o preço de uma cota costuma ser calculado comparando o dividendo pago pelo fundo com a taxa livre de risco — hoje, a Selic. Se a Selic cai, essa taxa de comparação cai, e o mesmo dividendo passa a valer, proporcionalmente, mais, o que tende a puxar o preço das cotas para cima. Na prática, isso ainda não aconteceu: o IFIX fechou a quinta-feira (08/10) em leve queda de 0,14%, a 3.949,64 pontos — sinal de que o mercado segue cauteloso, não eufórico, em relação ao corte.

O que o IPCA desta semana pode confirmar — ou não

O dado que deve pesar mais nos próximos dias é o IPCA, acompanhado de perto pelo mercado nesta semana, conforme a Money Times. Um IPCA mais baixo reforça a tese de corte; um número acima do esperado pode fazer o mercado recuar da aposta — e, com ela, parte da reprecificação já vista em Tesouro, CDB, XP e FIIs.

Há também um fator externo que pode limitar o espaço de corte do Copom: a Pimco já projeta que os juros dos títulos do Tesouro americano de 10 anos podem chegar a 6%, segundo a Investing — cenário que, se confirmado, tende a manter o Banco Central brasileiro mais cauteloso, independentemente do que o IPCA local mostrar. Até a próxima decisão do Copom, a Selic continua em 13,75% ao ano: o que existe, por ora, é expectativa.

Guilherme Benchimol, fundador e presidente do conselho da XP Inc., de braços cruzados em ambiente corporativo

Maria Gabriela
Maria Gabrielahttp://allfin.com.br
Maria Gabriela é jornalista dedicada à cobertura de economia, negócios e mercado financeiro.
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