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Encontrar meu domínio →“Esse CDB paga 110% do CDI.” A frase soa como uma boa notícia, mas muita gente concorda com a cabeça sem saber 110% de quê. O CDI é a régua que mede quase toda a renda fixa brasileira. Neste texto você vai entender o que ele é e como transformar um percentual do CDI em dinheiro de verdade.
O que é o CDI, afinal
CDI significa Certificado de Depósito Interbancário. É um título de curtíssimo prazo que os bancos emitem entre si, em geral com duração de um dia.
Por que isso existe? Os bancos precisam fechar o dia com o caixa em ordem. Quem tem sobra empresta, quem tem falta toma emprestado. O CDI é o instrumento dessa troca.
O ponto é que você, pessoa física, não compra CDI. Ele é uma operação entre instituições. O que chega até você é a taxa dessas operações, que serve de referência para o rendimento de outros produtos.
CDI e taxa DI: qual a diferença
Muita gente ainda confunde os dois nomes. Na prática, o CDI é o título, e a taxa DI é a taxa média de juros praticada nessas operações, calculada e divulgada diariamente pela B3. Quando alguém diz “o CDI do dia”, quase sempre está falando da taxa DI.
Qual a relação entre CDI e Selic
A Selic é a taxa básica de juros da economia. O Banco Central usa o Copom para definir a meta dela e faz operações diárias para manter a taxa efetiva alinhada a essa meta. Se quiser a base, veja o texto do ALLFIN sobre o que é a taxa Selic e como ela afeta seus investimentos.
O CDI nasce de um mercado diferente (empréstimos entre bancos, não operações com títulos públicos), mas as duas taxas andam muito próximas. Quando a Selic sobe, o CDI tende a subir junto. Quando cai, ele acompanha.
Para a taxa Selic, a descrição oficial está na página do Banco Central sobre a taxa Selic. Para o valor do CDI no dia, consulte a B3, que o calcula. Nunca use número decorado: ele muda com frequência.
Por que a renda fixa fala em “% do CDI”
Os produtos pós-fixados não prometem uma taxa em reais. Eles prometem um percentual de uma taxa que vai variar. Assim, se o CDI sobe, seu rendimento sobe. Se cai, seu rendimento cai.
Esse formato aparece em CDBs, LCIs, LCAs, debêntures e outros títulos. O guia do ALLFIN sobre LCA, LCI, LCD e CDB mostra as diferenças entre eles. Já o texto sobre renda fixa como porta de entrada dos investimentos é um bom ponto de partida se você está começando.
Vamos ver o que cada percentual significa:
- 100% do CDI: o investimento rende o mesmo que o CDI.
- Abaixo de 100%: rende menos que a referência. Costuma vir com algum benefício, como isenção de imposto para pessoa física em LCI e LCA.
- Acima de 100%: rende mais que o CDI, normalmente com prazo maior, banco menor ou menos liquidez.
Como calcular o rendimento: um exemplo passo a passo
Os números abaixo são hipotéticos e servem só para ilustrar a conta. Não são taxas atuais nem indicação de produto.
Imagine um CDI de 10% ao ano e R$ 10.000 aplicados por um ano.
- A 100% do CDI: o rendimento bruto é de 10%. Seus R$ 10.000 viram R$ 11.000.
- A 110% do CDI: o cálculo é feito sobre a taxa diária, com os juros compostos dia após dia. O resultado fica um pouco acima de 11% ao ano, perto de R$ 11.100 brutos.
Repare que 110% do CDI não é “10% + 10%”. É 110% da taxa, aplicada todos os dias úteis, o que gera juros sobre juros. Se esse mecanismo é novo para você, vale ler sobre como funcionam os juros compostos.
E o imposto?
Esses valores são brutos. Em um CDB, o imposto de renda incide sobre o rendimento, e a alíquota depende do prazo da aplicação, segundo uma tabela regressiva. Consulte a tabela vigente no site da Receita Federal. Em LCI e LCA, pessoas físicas costumam ser isentas, mas as regras podem mudar.
Por isso, comparar só o percentual engana. Veja outro exemplo hipotético, supondo uma alíquota de 15% sobre o rendimento do CDB:
- CDB a 100% do CDI: sobram, líquidos, 85% do CDI.
- LCI a 90% do CDI, isenta: sobram 90% do CDI.
Neste cenário, o “pior” percentual rende mais depois do imposto. Essa comparação também aparece no guia do ALLFIN sobre CDB, LCI e LCA, já citado.
O que olhar antes de aceitar um percentual do CDI
Na minha experiência, o percentual vira a única coisa que as pessoas olham. Há outros pontos que pesam tanto quanto ele:
- Prazo e liquidez: dá para resgatar a qualquer momento ou só no vencimento?
- Imposto: o rendimento bruto e o líquido são bem diferentes.
- Emissor: quem garante o pagamento? Entenda os limites da cobertura do FGC antes de concentrar valores em um só banco.
- Seu objetivo: reserva de emergência pede liquidez. Meta de longo prazo aceita prazo maior.
Um percentual alto em um produto que você não consegue resgatar no dia em que precisa pode custar mais do que rende.
Entender o CDI é entender a régua
O CDI não é um investimento, nem um truque. É uma régua. Saber lê-la evita comparar produtos que parecem iguais e não são, como um CDB de 100% e uma LCI de 90%.
Da próxima vez que ouvir “110% do CDI”, faça três perguntas: de qual taxa, por quanto tempo e depois de qual imposto. Com essas respostas, a oferta deixa de ser slogan e vira número que você consegue comparar. Este conteúdo é educativo e não constitui recomendação de investimento.



