SAC ou Price: essa é uma das primeiras dúvidas de quem vai assinar um financiamento imobiliário e encontra duas tabelas de parcelas bem diferentes na mesma proposta. A escolha muda o valor mensal, o saldo da dívida e o total de juros. Vamos comparar com um exemplo simples.
O que são SAC e Price, afinal?
Os dois são sistemas de amortização. Em português claro: são as regras que definem como a dívida é paga ao longo dos meses.
Toda parcela de financiamento tem duas partes. Uma paga os juros do mês. A outra amortiza, isto é, reduz o saldo devedor, que é quanto você ainda deve ao banco.
O que muda entre SAC e Price é a divisão dessas duas partes.
- SAC (Sistema de Amortização Constante): a parte que abate a dívida é sempre a mesma. Como o saldo cai a cada mês, os juros diminuem e a parcela vai ficando menor.
- Price (também chamada de tabela Price ou sistema francês): a parcela é fixa do início ao fim. No começo, quase tudo vai para juros. A amortização cresce devagar.
Segundo a explicação do Serasa sobre SAC e Price, a SAC tem prestações maiores no início e menores no final, enquanto na Price as parcelas começam menores e se mantêm iguais.
Uma simulação fictícia para enxergar a diferença
Vamos a um exemplo ilustrativo, que não representa nenhuma oferta real. Imagine uma dívida de R$ 200 mil, em 240 meses (20 anos), com juros de 1% ao mês. Para simplificar, ignoro seguros, tarifas e correção do saldo.
| SAC | Price | |
|---|---|---|
| Primeira parcela | cerca de R$ 2.833 | cerca de R$ 2.202 |
| Última parcela | cerca de R$ 842 | cerca de R$ 2.202 |
| Total de juros | cerca de R$ 241 mil | cerca de R$ 329 mil |
| Saldo devedor após 5 anos | R$ 150 mil | cerca de R$ 183 mil |
Repare em dois pontos.
Primeiro: a Price alivia o início. A diferença é de mais de R$ 600 na primeira parcela. Para quem está com o orçamento apertado, isso pode decidir se o financiamento cabe ou não.
Segundo: o preço desse alívio. No fim do contrato, a Price custa cerca de R$ 88 mil a mais em juros nesse exemplo. E, após cinco anos, o saldo devedor ainda está bem mais alto.
Por que a Price deixa a dívida cair mais devagar
Aqui está o ponto que muita gente não percebe. Na Price, a parcela é a mesma todo mês, mas a divisão interna muda. Na primeira parcela do exemplo, R$ 2.000 são juros e só cerca de R$ 202 abatem a dívida.
Como o saldo quase não cai no começo, os juros do mês seguinte continuam altos. É o efeito dos juros compostos trabalhando contra você. Se quiser entender esse mecanismo com calma, veja o texto sobre juros compostos e como funcionam.
No SAC, o abatimento é de R$ 833 por mês desde o início. O saldo cai em ritmo constante, e os juros acompanham.
Quando a parcela do SAC fica abaixo da Price
No exemplo, as parcelas se cruzam por volta da 77ª. Depois disso, a SAC passa a ser a mais leve. Por isso, quem escolhe o SAC paga mais no começo e menos no futuro.
Quando cada sistema costuma fazer sentido
Não existe resposta universal. Existe a que cabe na sua realidade. Algumas perguntas ajudam:
- A parcela inicial do SAC cabe com folga? Se ela compromete uma fatia muito grande da renda, o risco de atraso aumenta. Um financiamento mais barato no papel não ajuda se a parcela não couber.
- Sua renda tende a crescer? Quem espera ganhar mais ao longo dos anos pode aguentar o começo mais pesado do SAC.
- Você pretende quitar ou amortizar antes do prazo? Com o saldo caindo mais rápido, o SAC costuma deixar a dívida menor mais cedo. Isso ajuda em uma venda ou em uma quitação antecipada.
- Há outra dívida cara para resolver? Às vezes vale conferir a lógica de quitar dívidas ou investir antes de fechar o prazo e a parcela.
Na minha experiência, percebo que a pergunta mais útil não é “qual é melhor?”, e sim “qual parcela eu aguento sem sacrificar o resto do orçamento?”.
Compare o custo total, não só o sistema
A tabela escolhida é só uma parte da conta. A taxa de juros, o prazo, os seguros e as tarifas também pesam. Por isso, peça sempre o Custo Efetivo Total (CET), que reúne em um percentual os custos da operação, e compare propostas por ele.
Você também pode testar números com a Calculadora do Cidadão, do Banco Central. A página simula financiamento com prestações fixas: você informa três dos quatro dados (meses, taxa mensal, prestação e valor financiado) e ela calcula o quarto. É um caminho para conferir a conta de uma proposta em formato de parcelas iguais.
Antes de assinar, vale perguntar ao banco:
- Posso escolher entre SAC e Price na mesma linha de crédito?
- Qual é o CET em cada opção?
- Como funciona a amortização extra: reduz o prazo ou a parcela?
- Quais seguros e tarifas estão embutidos na parcela?
Se ainda está em dúvida entre financiar ou outro caminho, o artigo sobre consórcio ou financiamento ajuda a comparar as duas rotas.
A escolha que cabe no seu orçamento hoje e amanhã
A Price empurra o custo para o futuro, em troca de uma parcela inicial menor. O SAC cobra mais cedo e, em geral, cobra menos no total. Nenhum dos dois é vilão: o erro é escolher sem fazer a conta.
Os valores aqui são ilustrativos. Taxas, prazos e regras variam por instituição e por linha de crédito, então simule com seus próprios números e leia o contrato com calma. Este conteúdo é educativo e não é recomendação de contratação.
O melhor sistema é aquele que você consegue pagar até o último mês, sem apertar o restante da vida financeira.



