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Encontrar meu domínio →Foto: Saulo Cruz/Agência Senado (CC BY 2.0)
Quanto do otimismo eleitoral ainda cabe no preço dos ativos brasileiros? Na quarta-feira (07/10), o mercado começou a responder: o dólar voltou a bater R$ 5 durante o pregão e o Ibovespa cedeu, enquanto o cenário internacional — juros longos dos EUA nas máximas em 24 anos e petróleo acima de US$ 103 — parou de ajudar e passou a pesar.
O ajuste depois da euforia
O Ibovespa fechou a quarta-feira em 204.302 pontos, queda de 0,74%, segundo a Agência Brasil. Foi o segundo pregão de recuo depois da disparada de mais de 7% que se seguiu ao resultado do primeiro turno — a primeira pausa do rali já tinha aparecido na terça-feira (06/10), quando o índice caiu 0,52%. O dólar, que vinha na direção oposta da bolsa desde o resultado das urnas, inverteu o movimento: voltou a superar R$ 5 durante o pregão, segundo a mesma reportagem da Agência Brasil — embora a cotação de referência do dia, a PTAX do Banco Central, tenha fechado em R$ 4,9935, ainda abaixo dessa marca. A Selic segue em 13,75% ao ano, sem reunião do Copom nesta semana: é pano de fundo da renda fixa, não o motivo do ajuste do dia.
Juros americanos na máxima em 24 anos
Parte da pressão veio de fora. Segundo o Seu Dinheiro, o rendimento do Treasury de dez anos — o título de referência do governo americano — bateu máxima em 24 anos, movimento que, segundo a reportagem, fez as ações caírem nos Estados Unidos e o Ibovespa acompanhar. Quando o retorno dos títulos mais seguros do mundo sobe tanto, ativos de mercados emergentes como o brasileiro tendem a perder atratividade relativa: é um mecanismo clássico de precificação de risco, não uma previsão específica sobre o Brasil.
Petróleo acima de US$ 103 e tensão no Oriente Médio
Os futuros de Nova York caíram nesta quinta-feira (08/10) após a nova alta dos Treasury yields e com o petróleo a mais de US$ 103 o barril, segundo o InfoMoney. Na Ásia, as bolsas fecharam em baixa na mesma quinta-feira, em meio a um novo salto do petróleo num cenário de tensões no Oriente Médio que, segundo o Money Times, tende a intensificar pressões inflacionárias e a elevar ainda mais os rendimentos de títulos soberanos. É a combinação que preocupa: petróleo mais caro pressiona a inflação, inflação mais alta sustenta juros mais altos, e juros mais altos tiram fôlego de ações pelo mundo, não só no Brasil.
As ações do rali que agora perdem força
No Brasil, o ajuste também separa os setores que mais subiram no rali eleitoral dos que menos se beneficiaram dele. Segundo o InfoMoney, Vale, siderúrgicas e empresas de papel e celulose não se animaram com a disparada da bolsa; a análise do Bradesco BBI, citada pela reportagem, aponta a valorização do real e a expectativa de um ambiente mais favorável para a economia doméstica como um desafio relevante para esses setores, historicamente mais ligados ao dólar e ao mercado externo do que ao humor político interno. Em outra reportagem, o InfoMoney lista 12 ações que caíram durante o próprio rali: Suzano, Embraer e Vale lideraram as perdas enquanto o Ibovespa disparava, diz a reportagem, atribuindo boa parte do movimento ao real mais forte — mas recomendando separar o que é rotação setorial do que pode ser oportunidade de compra.
A oscilação também devolve algum fôlego à renda fixa, que tinha perdido atratividade relativa no auge do rali: com os juros globais subindo, títulos prefixados e indexados à inflação no Brasil voltam a competir com uma bolsa que, nesta quarta, parou de subir.
O que o mercado olha nesta quinta: seguro-desemprego dos EUA e ata do BCE
Com a disputa eleitoral brasileira num compasso de espera até o segundo turno, a atenção do mercado nesta quinta-feira (08/10) se volta à agenda internacional: o Ibovespa monitora os pedidos semanais de seguro-desemprego nos Estados Unidos e a ata da última reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), segundo o Money Times. São dois termômetros do mesmo problema que já pesou no pregão de quarta-feira: se os dados mostrarem economia americana ainda resiliente e juros europeus sem sinal de alívio, a pressão dos Treasuries e do petróleo tende a continuar — justamente o que, por ora, tira o fôlego do rali brasileiro.
Este texto tem caráter informativo e reporta dados de fechamento de mercado e a leitura de analistas sobre o cenário internacional; não constitui recomendação de compra ou venda de qualquer ativo.
Fontes: Agência Brasil — “Dólar volta a R$ 5 com ambiente externo e ajuste pós-eleitoral”; Seu Dinheiro — “A explosão da renda fixa nos EUA: Treasury de dez anos bate máxima em 24 anos, ações caem e Ibovespa acompanha”; InfoMoney — “Futuros de NY caem após nova alta de Treasury yields e com petróleo a mais de US$ 103”, “Vale, siderúrgicas, papel e celulose: por que não se animaram com rali?” e “12 ações que caíram no rali pós-1º turno: quais ainda são oportunidades?”; Money Times — “Bolsas da Ásia fecham em baixa com salto do petróleo e tensões no Oriente Médio” e “Tempo real: Ibovespa monitora pedidos de seguro-desemprego nos EUA e ata do BCE”.



