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- Selic (meta): 13,75% ao ano
- Câmbio: dólar a R$ 5,2204 (PTAX, fechamento de 29/09)
- Ibovespa: 183.828 pontos, alta de 0,46% no fechamento de terça-feira (29/09)
Por que o PCE é o assunto do dia
Nesta quarta-feira (30/09), o mercado inteiro — em Nova York e em São Paulo — está de olho num único número: o índice de Despesas de Consumo Pessoal (PCE, na sigla em inglês), a medida de inflação preferida do Federal Reserve. Junto com ele, saem também o PIB americano e dados de emprego, num pacote que a imprensa financeira já vinha chamando de principal catalisador do pregão desta quarta.
A expectativa, segundo economistas consultados pela Dow Jones, é de alta de 0,3% do PCE na comparação mensal, levando o índice a 3,7% no acumulado de 12 meses. Não é um número aleatório: é o termômetro que o Fed mais observa para decidir os próximos passos da taxa de juros americana — mais até do que o CPI, o índice de inflação ao consumidor mais popular no noticiário.
O motivo de tanta atenção é direto. Se o PCE vier acima do esperado, cresce a aposta de que o Fed mantém os juros altos por mais tempo (ou até volta a subir), o que fortalece o dólar globalmente e tende a pressionar bolsas emergentes, incluindo a brasileira. Se vier em linha ou abaixo, abre espaço para o mercado precificar cortes mais cedo — cenário que, em geral, favorece ativos de risco como as ações da B3.
Esse nervosismo já aparecia antes da abertura do pregão americano: o Dow Jones Futuro operava em alta na expectativa do dado (e também de olho no balanço da fabricante de chips Micron), sinal de que os investidores estavam se posicionando para o resultado. Do lado brasileiro, o Ibovespa fechou terça-feira em alta de 0,46%, aos 183.828 pontos, num pregão que já misturava esse aguardo com um cenário externo carregado: bolsas asiáticas performando de forma mista, tensão geopolítica no Oriente Médio no radar e petróleo em queda.
O que isso significa pra quem investe ou empreende no Brasil
O link entre um indicador de inflação americano e o seu extrato de investimentos passa pelo diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos. Com a Selic em 13,75% no Brasil e o Fed sinalizando cautela lá fora, qualquer sinal de que os juros americanos vão demorar mais para cair tende a segurar o fluxo de capital estrangeiro que normalmente migra para mercados emergentes em busca de retorno — pressionando o real e, por tabela, o custo de importação, o preço de produtos dolarizados e até a inflação brasileira.
Para quem investe em ações locais, o efeito é indireto, mas real: dia de PCE costuma ser dia de volatilidade maior na B3, com o Ibovespa reagindo tanto ao número em si quanto à variação do dólar e das bolsas americanas ao longo do pregão. Para quem lida com custos em moeda estrangeira — importadores, empresas com dívida em dólar, quem viaja ou compra de fora — vale acompanhar a reação do câmbio ao longo do dia, já que o PTAX de hoje só fecha à noite.
Do lado doméstico, o pano de fundo também ajuda a entender o momento: o Caged mostrou criação de 165,8 mil vagas em agosto, com desemprego caindo para 5,3% — o menor patamar da série para o trimestre —, enquanto o déficit primário do Governo Central somou R$ 13,6 bilhões no mês e o IGP-M subiu 1,57% em setembro (3,34% em 12 meses). É um quadro misto: mercado de trabalho aquecido, mas contas públicas ainda no vermelho e uma medida de inflação por atacado voltando a acelerar — o tipo de combinação que, segundo a sinalização mais recente do Copom, mantém o Banco Central sem pressa para acelerar novos cortes de juros, mesmo com o Fed do outro lado da mesa jogando um jogo parecido.
O que acompanhar amanhã
Com o PCE e o PIB americano divulgados hoje, o mercado deve passar a quinta-feira digerindo a reação do dólar e das bolsas globais ao resultado, além de olhar para os próximos indicadores de emprego nos EUA, que ajudam a fechar o quadro antes da próxima decisão do Fed. No Brasil, a agenda segue com atenção a dados de crédito e inadimplência — tema que já preocupa, já que os juros para famílias subiram e a inadimplência chegou a 6% em agosto, segundo dados do Banco Central.



