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Eleição 2026: empate técnico e tabu de 37 anos no mercado

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Foto: Ricardo Stuckert/Palácio do Planalto (CC BY 2.0)

Os números de hoje

  • Selic (meta): 13,75% ao ano — a série de datas do Banco Central apresentou inconsistências nesta consulta, mas o valor se manteve estável em checagens repetidas.
  • Câmbio (PTAX): R$ 5,1795 no fechamento de 24/09, em alta desde os R$ 5,1117 registrados em 21/09.
  • Ibovespa: não pôde ser confirmado no momento desta publicação por instabilidade na fonte de dados.

Um tabu de 37 anos sob ameaça

Desde a redemocratização, em 1989, todo candidato que liderou o primeiro turno de uma eleição presidencial venceu também o segundo. São nove eleições, nove confirmações. A poucas semanas da votação de 2026, esse histórico corre risco real de cair.

As pesquisas mais recentes mostram Lula e o senador Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados, dentro da margem de erro em mais de um instituto: Quaest aponta 37% a 33%, AtlasIntel 45% a 43%, Real Time Big Data 41% a 37% (InfoMoney). Cientistas políticos citados pela reportagem lembram que, em 2022, a vantagem de Lula encolheu de 5,2 pontos no primeiro turno para 1,8 ponto na vitória final — e que diferenças abaixo de 5 pontos historicamente abrem espaço para reviravolta, puxadas por abstenção, voto em branco e nulo, e mobilização de última hora.

Para o mercado, empate técnico não é só estatística de cientista político. É a variável que mais pesa hoje na formação de preço de ativos brasileiros — e explica boa parte da pressão que o dólar vem sofrendo nesta semana.

O que o mercado já está precificando

O gestor Luis Stuhlberger, da Verde Asset, resumiu o cálculo que roda nas mesas de operação: uma vitória de Flávio Bolsonaro provocaria “euforia no curto prazo”, mas ele avalia o candidato como “fraco” e sem projeto de governo estruturado. Mesmo assim, consideraria um alívio frente à possibilidade de reeleição de Lula, pela expectativa de corte de gastos (Investing Brasil).

Segundo o gestor, os cenários de câmbio e juros variam de forma expressiva conforme o resultado: dólar mais perto de R$ 5,50 num cenário Lula, contra algo próximo de R$ 4,80 num cenário Flávio — números que ilustram o tamanho do prêmio de risco embutido no câmbio de hoje, não uma previsão do ALLFIN. A Verde mantém cerca de 13% da carteira em ações brasileiras, postura descrita como defensiva diante da indefinição eleitoral.

É esse tipo de aposta, replicada por gestoras menores e investidores pessoa física, que ajuda a explicar por que o dólar subiu de R$ 5,11 para R$ 5,18 em poucos dias: parte do mercado está comprando proteção contra o resultado que considera mais incerto, não necessariamente o pior.

Ajuste fiscal: promessas parecidas, ritmos diferentes

Nos bastidores, as duas campanhas já preparam propostas de ajuste fiscal — mas evitam detalhar o que doeria no bolso do eleitor antes da urna. A equipe de Lula projeta superávit de 1,3% do PIB até 2030, via controle de gastos obrigatórios, revisão de benefícios sociais e mudança na tributação corporativa. A campanha de Flávio promete ritmo mais acelerado, com 1,5% do PIB de ajuste já nos primeiros 18 meses, apoiado em nova âncora para a dívida, corte de privilégios no serviço público e privatizações (Investing Brasil).

Para quem investe, o ponto prático é este: nenhum dos dois lados publicou a lista de medidas impopulares que sustentaria essas metas. Enquanto isso não aparece, o mercado precifica incerteza — e não a essência do programa de governo de um ou outro candidato.

O Copom, aliás, cortou a Selic para 13,75% ao ano em 16 de setembro, na última reunião antes do primeiro turno, sem sinalização explícita sobre o próximo passo — leitura de analistas é que o Banco Central evitou dar munição a qualquer lado da disputa (InfoMoney); a cotação do dólar aqui referida segue o boletim diário do Banco Central (BCB — PTAX).

O que acompanhar

Com o quadro tecnicamente empatado, a tendência é de volatilidade maior em câmbio e bolsa a cada nova pesquisa divulgada, e não só no dia do primeiro turno. Quem tem carteira em renda variável ou proteção cambial deve monitorar o calendário eleitoral com a mesma atenção que dá a indicador econômico — para entender melhor como a volatilidade afeta esse tipo de posição, vale revisitar como usar a renda variável a favor do patrimônio e, para quem está montando carteira agora, os passos para começar a investir com segurança. Novas pesquisas eleitorais e o desfecho do primeiro turno devem seguir sendo o principal gatilho de preço no câmbio e na bolsa brasileira nas próximas semanas.

Foto: Andressa Anholete/Agência Senado (CC BY-SA 4.0)

Senador Flávio Bolsonaro concede entrevista a jornalistas no Senado Federal

Maria Gabriela
Maria Gabrielahttp://allfin.com.br
Maria Gabriela é jornalista dedicada à cobertura de economia, negócios e mercado financeiro.
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