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Mercado hoje: quinta-feira, empate eleitoral pesa no dólar

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Os números de hoje

  • Dólar comercial (B3): fechou 23/09 em alta de 1,27%, a R$ 5,1689 — maior cotação desde o fim de agosto
  • PTAX oficial (BCB): R$ 5,1414 no fechamento de 23/09 (taxa de referência do Banco Central, diferente da cotação de mercado acima)
  • Selic meta: 13,75% a.a. (valor vigente, BCB)
  • Ibovespa: viés de queda no pregão desta quinta-feira, segundo o noticiário de mercado — sem número oficial de pontos confirmado até o fechamento desta edição
  • IPCA (agosto/2026): -0,32%, deflação mensal — última leitura fechada disponível

O empate que esfriou o “trade eleitoral”

Foi o assunto que dominou o noticiário de mercado nesta quinta-feira: uma nova pesquisa Atlas Intel para a Bloomberg mostrou Lula numericamente à frente de Flávio Bolsonaro na corrida presidencial de 2026, mas os dois tecnicamente empatados dentro da margem de erro. Para quem acompanha política, é um dado sobre a eleição. Para quem acompanha mercado, é outra coisa: é o fim, pelo menos temporário, de uma das principais teses que vinham sustentando ativos brasileiros nas últimas semanas.

Esse “trade eleitoral” é simples de entender. Nas últimas semanas, parte do mercado apostou que um cenário mais favorável a um nome de oposição — e, mais amplamente, a percepção de risco político mais baixo — justificava comprar Ibovespa, comprar real e vender juros futuros. É a lógica clássica de precificar expectativa antes do fato: o mercado tenta antecipar o resultado das urnas comprando ativos brasileiros na esperança de uma alternância ou de sinalização de maior disciplina fiscal.

O problema é que essa aposta depende de uma pesquisa continuar mostrando distância entre os candidatos. Quando o Atlas Intel mostra empate técnico, a tese perde sustentação — porque incerteza eleitoral, na leitura do mercado, tende a ser tratada como risco, não como oportunidade. Foi exatamente esse o pano de fundo, segundo o InfoMoney, para o comportamento do câmbio na quarta-feira: o dólar à vista fechou em alta de 1,27%, a R$ 5,1689, maior patamar desde o fim de agosto, e o minidólar (WDOV26) subiu 1,24%, a 5.173 pontos.

O movimento não teve só componente doméstico. O fluxo cambial de setembro está negativo em US$ 7,078 bilhões — ou seja, mais dólares saindo do que entrando no país via operações registradas —, e o PMI composto dos Estados Unidos veio a 58,4 pontos, o maior nível desde julho de 2021. Um PMI forte nos EUA reforça a leitura de que o Federal Reserve pode manter juros altos por mais tempo, o que atrai capital para ativos americanos e pressiona moedas emergentes, o real incluído. Empate eleitoral no Brasil e dado forte de atividade nos EUA se somaram na mesma direção: dólar mais caro.

No lado da bolsa, o reflexo foi qualitativo, mas direto: o pregão desta quinta-feira abriu com o Ibovespa voltando a cair, revertendo parte do otimismo recente, segundo o noticiário do mercado. Sem o número fechado de pontos disponível até a produção desta nota, o que se pode afirmar com segurança é a direção — e a explicação para essa direção é a mesma do câmbio: menos convicção no trade eleitoral tira parte do apoio que vinha turbinando ativos de risco brasileiros.

Por que isso importa para quem investe

Vale separar dois planos. Um é o político: quem vai ganhar a eleição de 2026 é uma pergunta que nem a melhor pesquisa responde com certeza a essa distância do primeiro turno — margem de erro existe para isso. O outro é o de mercado: independentemente de quem lidera, a volatilidade de uma corrida apertada já é, por si só, um fator de precificação. Ativos brasileiros carregam um prêmio de risco maior em cenário de indefinição eleitoral, e isso se manifesta em câmbio mais instável, juros futuros mais altos e bolsa mais sensível a cada nova pesquisa.

Para quem investe, a lição prática não é tentar acertar o resultado da eleição — é entender que 2026 tende a ser um ano de mercado mais nervoso a cada nova leitura de pesquisa, com câmbio e bolsa reagindo a dados que, tecnicamente, ainda estão dentro da margem de erro. Isso pesa tanto para quem está posicionado em renda variável quanto para quem trava operações via juros futuros — vale reforçar que este texto descreve o cenário, não recomenda posição em nenhum ativo específico.

Vale lembrar, também, que esse nervosismo eleitoral entra numa economia que já reduziu a Selic pela quinta vez consecutiva, para 13,75% a.a. — como o ALLFIN mostrou na cobertura da ata do Copom da semana passada e no confronto entre o aperto do Fed e o corte do Copom. Ou seja: o real já estava lidando com divergência de juros entre Brasil e EUA antes de a pesquisa eleitoral entrar na equação — o empate técnico apenas acrescentou mais um vetor de pressão.

O que acompanhar

Fica no radar a confirmação da PTAX de hoje pelo Banco Central (o boletim de 23/09 fechou em R$ 5,1414) e se o pregão consolida a correção do Ibovespa ou reverte ainda nesta sessão. Novas pesquisas eleitorais — Atlas Intel ou outros institutos — tendem a continuar movendo o câmbio e os juros futuros enquanto o quadro de 2026 seguir indefinido. Vale também observar se o fluxo cambial negativo de setembro se mantém até o fechamento do mês, o que ajudaria a confirmar se a pressão sobre o real é mais estrutural ou pontual.

Este texto tem caráter informativo e não constitui recomendação de compra ou venda de qualquer ativo.

Fontes: InfoMoney — Minidólar hoje: futuro do dólar (WDOV26).

Foto: Ricardo Stuckert/PR (CC BY-SA 2.0), via Wikimedia Commons

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Maria Gabriela
Maria Gabrielahttp://allfin.com.br
Maria Gabriela é jornalista dedicada à cobertura de economia, negócios e mercado financeiro.
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